quarta-feira, 20 de julho de 2011

Certezas

Te cerco
com os olhos,

Sem querer sacar,
me ignoras.

Te peço:
me sacia
essa vontade

De cruzar
nus
olhos

Certezas
sem fins.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Tento

Tento
tentar-te
mas te tentas
por puro prazer.
No tato, no olfato,
por tantos meios.
No não consumado,
Que te tenho,
É fato!

domingo, 10 de julho de 2011

Desgosto

Desgosto
do gosto
na boca,
do cheiro
no cabelo,
na roupa.
Gosto
de engolir
sem mastigar,
por para fora,
sentir-me leve,
sem remorso.
Aspiro desgosto
Expiro liberdade.

sábado, 9 de julho de 2011

Enganar-se

Enganar-se
Ou enganar a si?
Errar,
Não.
Se perder no erro
Errar-se,
Não se encontrar
Perder-se em si
Se errar
Se perdesse...

quinta-feira, 30 de junho de 2011

S de som.

Peço pro som me acariciar, sim.
ésses, esses ssssssss sem fim.
Não incomodam,
fazem cócegas
aos ouvidos e
produzem prazer,
meio sado.
A culpa é do poeta,
sádico.
Viciei no som
do seu sentimento.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

domingo, 26 de junho de 2011

Pulsa.


Pulsa.
um coração
no peito.
Pulsa.
E repulsa
a vida
sem parar.
Pulsa.
E anseia
para que
o tempo
faça
parar
pulsar.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Cifrei versos

Cifrei versos
E minha poesia
Se fez musica
Ao te cantar.
Fiz poesia
Para te tocar
E te prender
Em minha canção

sábado, 11 de junho de 2011

me perdoa se fui ingrata com o tempo

me perdoa se fui ingrata com o tempo que me presenteou com a sua vinda, se não pude dispor de um segundo do meu para aceitar um abraço ou um carinho seu. juro que minhas atitudes não têm a ver com o que eu sinto por você, a verdade é que não tenho paciência de esperar um abraço terminar, porque o tempo me castiga passando tão devagar. Castiga também, pois sei que os ponteiros de todo relógio têm a felicidade de se encontrar duas vezes ao dia, e eu, passo dias e dias sem te ver, porque o tempo é contra mim, sempre! quando chego e as únicas palavras que troco com você é quando já está adormecida... me perdoa se não tive tempo de te ouvir, é porque passo o dia ouvindo, sendo consultora de sonhos de todos aqueles que me procuram. mas para você, o seu sonho inalcançável de hoje, era apenas que sua irmã tivesse um pouco de tempo para realizar o seu sonho de ter tempo para passar um dia com você!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Coma alcoólico

            Paro para pensar... Por que me deu de tudo e agora quer tirar?
“Dinheiro? Afinal, quem é dono de quem? Você é a dona dele ou ele é seu dono?”
            A sensação é a de ter tudo e ao mesmo tempo não ter nada, sempre falta algo, então, encho-me em profusão desse doce veneno sedutor que me mata aos poucos. Afogo-me novamente no destilado com doces misturas procurando uma resposta, mas só encontro torpor. Desce gelado esquenta por dentro, e é assim que quero me sentir: quente, abraçada, acolhida. Enquanto minha visão embaça e meu mundo gira, rio atoa, já nem sinto a dor da mágoa por dentro, só a dúvida:  “O que queres de mim?” - Questiono sem parar, pois as vozes em minha mente não são o suficiente para sanar a dúvida.
            Perco a noção do tempo, encaro o barman que empurra mais uma dose e sem negar me deleito, perdendo também a noção de quanto devo pagar antes de sair do bar. Sinto algo em meu estomago revirar, ignoro de início, mas não consigo reprimir o que quer sair. Tudo o entrou durante o dia, me sai pela boca com gosto ruim e amargo, era o gosto da dor que sentira nos últimos dias. Alívio!
            Atraí olhares, claro, mas dessa vez não foram bons, foram de repressão querendo me crucificar. Levantei-me, a sensação era de teto girava sem parar, dei poucos passos perdendo o equilíbrio. Cai. E sem nenhuma mão estendida para me levantar, fiquei ali por um tempo até encontrar forças para me reerguer.  Jogo umas notas sob o balcão, talvez mais que o suficiente e sem me importar, saio. Na rua,  caí pela segunda vez, senti o gosto do asfalto e admito que é não é tão ruim quanto o de vômito. Chamo o primeiro taxi que passa pela rua, sem nem lembrar meu próprio endereço vejo tudo escurecer, adormeço...



            Dizem que Deus não dá a cruz maior do que possamos carregar, sempre pude carregar a minha, mas hoje, já não consigo andar pois meus pés estão suspensos do chão, um prego cravando-os na madeira, braços abertos como quem quer abraçar todas as responsabilidades do mundo, mas dessa vez, não, não agora, eu só queria cruzá-los e ver os outros fazerem o meu trabalho sujo. Tarde demais! Não consigo cerrar meus punhos, os pregos não deixam, dói demais. “Pai, por que me abandonastes?” - Clamo por uma resposta, mas é em vão.
            Sei que me perdi, fui eu o martelo a bater nos pregos, a prostrar-me na cruz de meus próprios desejos, vontades, anseios e na minha própria fraqueza me fiz Barrabás ao duvidar do Cristo e por duvidar perdi-me. Insuportável é sentir as lágrimas dos poucos que me amam a escorrer pelo meu corpo quente e inerte sob o leito de um hospital barato. Sei que não mereço o perdão e nem o céu, sei que posso não acordar de meu sono após os três dias. Se ao menos eu pudesse ter uma segunda chance, quem sabe acordar agora, erguer a cabeça e começar tudo de novo. Quero retomar a consciência que perdi entre um bar e outro, quero a minha ressurreição para a remissão dos meus próprios pecados.

domingo, 22 de maio de 2011

Sem saber

Já não sei se acompanho esses meus pensamentos desalinhados. Estou longe de cair na real, entrar na linha. Estou assim, remando sem direção a um passo para encontrar outros rumos, a minha própria perdição. Ficar sem remar é deixar-se levar para o vão sem volta, a vala sem vida. Vida? Vida não há. O que há... Só as dúvidas que ficaram no ar. Sei não, e se eu não sei de mim, quem há de saber?

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O zero

O zero à esquerda da vírgula,
Vírgula que me divide,
O muro no qual me encontro
Sem saber para que lado pular...
Se ganho asas ou se transpasso o chão
Se troco a fé pelo néctar
O X da questão.

É necessário ser alguém para somar um
Necessário saber de que lado estou.
O X da questão, é
Tudo me divide, eu não divido ninguém,
Sou o zero à esquerda da vírgula.
Aquele que ninguém quer ser.

Não me encontro.
Equação inacabada
Talvez sem solução.
Me perdi.
Não encontro o X em mim.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Mãos

Só quero as mãos que me guiam,
Que me acolhem.
Por favor, afastem de mim
As mãos que me puxam para baixo,
Que empurram o copo em minha direção,
Me sufocam,
Deslizam sob mim
Eu não sou assim...
Onde estão as mãos a bater em minha porta?
Acendam a luz, cansei de ficar na sombra.
Ergam-me
Ou então,
Afastem-se de mim.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Malas

Malas prontas ao chão, cheias de desejos vão, com histórias para contar voltarão. Férias, feriado. Céu. Lua. Mel. Fotografias aos montes e tantos sonhos a se realizar. Campo. Praia. Sol ou sul, pouco importa, vamos sair de Sampa, voltaremos logo, já não vivemos sem a correria do dia-a-dia, o terno, a gravata, o escritório, o chefe, o café para animar e a poluição do ar...
Data esperada, tão planejada. Vamos fugir um pouco?
Voltaremos à terra que deixamos, às pessoas que amamos que o tempo envelheceu, a saudade bateu.
Malas feitas as pressas, pressa de ver vivo quem tem peso de sobra na bagagem e está apenas esperando a barca chegar.
Sonho ou dor. O beijo de até logo ou de nunca mais. O abraço para matar a saudade. A lágrima a selar o caixão. Alegria ou saudade?
Nessa viagem sentindo o barato de viajar. De avião, na estrada ou no mar. Curtir o luar e o céu estrelado anunciando que um lindo dia de sol virá.
Trasladar-me. Não sei para onde a vida quer me levar. Não sei se vou, não sei se fico, talvez eu não deva, talvez eu volte cedo ou não queria nunca mais...

sábado, 16 de abril de 2011

O tempo

Triste o dia que conheci teu sorriso,
Tanto tempo tentando ter você,
Sofro.
Tempo que não tirou a vontade de te querer
Terapia
Para te tirar do meu peito, só o
O tempo - tic tac lento.
Inútil tentar lutar
Quero teu tudo no meu eu,
Mas não quero mais tentar
Tempo tarda,
Tira isso daqui, de mim!

domingo, 27 de março de 2011

Eu não existo sem você

"Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você"


Antonio Carlos Jobim

Pensa só essa no meu violão...

quinta-feira, 24 de março de 2011

Medo, sim

Vem,
Vem medo,
Vem, quero ver              
Tudo o que você tem.

Tira todo o meu querer.             
Vem varrendo meus sonhos,
Meus desejos, amores, o tempo.
Medo, que acaba com o meu viver.

Devagar, rasga aos poucos a esperança,             
Sem expectativas, por medo, perco minha fé      
Sim medo, pode levar tudo, sem medo nenhum
Leva para longe a inocência e as vontades de criança.

Se fomos educados para o medo, o que temer?
Quem tem receio do medo não pode vencer.
Escravo do medo, corra, esconda-se
Viva sem medo, sem viver.

Eu te quero aqui perto
Vou acabar com você
Porquê...
De você?
Medo?
Não!

segunda-feira, 7 de março de 2011

Apresentando:

O nome é Ana e o prazer é todo do leitor!
Resolvi criar meu blog após assistir o filme da Bruna Surfistinha, minha inspiração! Quem sabe eu não faça tanto sucesso quanto ela...
Para falar a verdade eu que sou tão egocêntrica, estou aqui para falar de algo que é comum a todos nós, uma arte que diferente de qualquer outra, não é para poucos, é para todos. Afinal, quem não finge? A questão é... Saber fingir! Mas de qualquer forma, até involuntariamente o fazemos, e isso não significa que somos mestres na arte, porque é mais fácil responder um "Oi, tudo bem?" com um simples "Sim, e você?" ao invés de dizer "Estou com fome, com frio, resfriada, cansada e meu carnaval está sendo um lixo e só por esse motivo estou escrevendo...".
Aqui falarei das mentiras, das verdades, de nós e de mim, é claro! Vou fingir que não sei fingir muito bem, ou então pode ser que eu esteja sendo simplesmente natural, gosto de fazer mistério (ao contrário da Bruna Surfistinha)
Aliás, recomendo o filme, assisti ontem e posso dizer que é um tanto... Interessante e reflexivo...

Agora queiram-me dar licença, preciso fingir que estou lendo O Primo Basílio, fingir que estou gostando e ainda fingir voltar logo para o próximo post.